Livros com gosto de infância
Não precisei pensar muito para decidir que meu primeiro post aqui no
Vinte e Oito seria algo relacionado a literatura. Para mim, dona de uma
minibiblioteca particular compartilhada, ler é uma mania que vem desde que
comecei a juntar lé com cré e falar sobre livros é quase que instintivo. Tenho
pós-graduação em virar páginas e sentir o cheiro delas (prefiro cheiro de livro
velho porque vem com espirro de brinde), cresci com centenas de amigos
invisíveis, vivendo as histórias deles como se fossem as minhas. É tudo
culpa da minha avó de consideração (história para outra hora) com quem
compartilho o espaço na biblioteca e muitos dos livros.
Depois de decidido o tema, resolvi que o merecedor da primeira fatia do
bolo é Carlos Ruiz Zafón. Escolhi falar de Zafón por um motivo
simples: somos (eu e minha avó) apaixonadas por esse espanhol e se é para
queimar a orelha direita de alguém por estar falando bem, queimo primeiro a
dele.
Zafón nasceu em Barcelona, cenário de seus romances mais famosos A
Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do
Céu. Eles formam a série Cemitério de Livros Esquecidos e,
não sei você, mas só esse título já me faz ficar em catarse.
Para ser bem sincera, de todos os livros dele, Marina foi
quem fisgou meu coração. Não é de se admirar que esse livro tenha me
conquistado tão facilmente: tem mistério, magia, aventura, narrador personagem,
cheiro de infância e fofuras daquelas bem fofas. É daquele tipo de história na
qual acontecem mil loucuras fantasiosas, mas todas elas fazem sentido.
Na verdade, isso é o que gosto mais dos livros de Zafón: a realidade é sempre misturada com a dose suficiente
de fantasia que você precisa para cultivar a sua imaginética. Essa
magia, que lembra aquelas histórias loucas que toda criança inventa quando está
brincando, é a cereja do bolo que todo mundo precisa pelo
menos provar. Por isso recomendo Zafón a quase todo mundo (“quase” porque para
quem não recomendo dou os livros de presente, não tem escolha).
Nessa linha de fuga, sonho e fantasia, Marina me
conquistou na primeira frase ainda que não entendesse de primeira seu significado.
Até hoje, de vez em quando, me pego pensando nela. Resolvi, então, que vou acabar
o post com essa frase para ficar ecoando em suas cabeças até irem atrás do meu espanhol preferido ou para provar que fiquei louca de vez.
“Às vezes, as coisas mais reais
só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela. - A gente só se lembra do que
nunca aconteceu”
(Marina, 2011)





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