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domingo, 9 de agosto de 2015

Livros com gosto de infância

Não precisei pensar muito para decidir que meu primeiro post aqui no Vinte e Oito seria algo relacionado a literatura. Para mim, dona de uma minibiblioteca particular compartilhada, ler é uma mania que vem desde que comecei a juntar lé com cré e falar sobre livros é quase que instintivo. Tenho pós-graduação em virar páginas e sentir o cheiro delas (prefiro cheiro de livro velho porque vem com espirro de brinde), cresci com centenas de amigos invisíveis, vivendo as histórias deles como se fossem as minhas. É tudo culpa da minha avó de consideração (história para outra hora) com quem compartilho o espaço na biblioteca e muitos dos livros. 
Depois de decidido o tema, resolvi que o merecedor da primeira fatia do bolo é Carlos Ruiz Zafón.  Escolhi falar de Zafón por um motivo simples: somos (eu e minha avó) apaixonadas por esse espanhol e se é para queimar a orelha direita de alguém por estar falando bem, queimo primeiro a dele. 
Zafón nasceu em Barcelona, cenário de seus romances mais famosos A Sombra do VentoO Jogo do Anjo O Prisioneiro do Céu. Eles formam a série Cemitério de Livros Esquecidos e, não sei você, mas só esse título já me faz ficar em catarse.
O autor tem como hábito explorar os mesmos locais nos seus livros que não estão exatamente interligados, ou estão? No caso da Cemitério de Livros Esquecidos a resposta é sim, mas também não. Os livros oferecem histórias completas podendo ser lidos sem qualquer ordem e sem precisar dos outros. Cabe então ao leitor decidir se esses livros formam um ciclo ou não, o que é no mínimo genial.  
Para ser bem sincera, de todos os livros dele, Marina foi quem fisgou meu coração. Não é de se admirar que esse livro tenha me conquistado tão facilmente: tem mistério, magia, aventura, narrador personagem, cheiro de infância e fofuras daquelas bem fofas. É daquele tipo de história na qual acontecem mil loucuras fantasiosas, mas todas elas fazem sentido.
Na verdade, isso é o que gosto mais dos livros de Zafón: a realidade é sempre misturada com a dose suficiente de fantasia que você precisa para cultivar a sua imaginética. Essa magia, que lembra aquelas histórias loucas que toda criança inventa quando está brincando, é a cereja do bolo que todo mundo precisa pelo menos provar. Por isso recomendo Zafón a quase todo mundo (“quase” porque para quem não recomendo dou os livros de presente, não tem escolha).
Nessa linha de fuga, sonho e fantasia, Marina me conquistou na primeira frase ainda que não entendesse de primeira seu significado. Até hoje, de vez em quando, me pego pensando nela. Resolvi, então, que vou acabar o post com essa frase para ficar ecoando em suas cabeças até irem atrás do meu espanhol preferido ou para provar que fiquei louca de vez.

“Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela. - A gente só se lembra do que nunca aconteceu” 
(Marina, 2011)


terça-feira, 7 de abril de 2015

Que livro te mordeu?

       Conheci a Renata por sorte. Na primeira vez que a vi, pensei "que pessoa diferente" e, de fato, que pessoa diferente é essa mulher! Nossos gostos literários logo se colidiram e, inclusive, permitiram-me convidar esse ser humano incrível pra escrever um post sobre o projeto - lindo!- que ela tem. Seguem aí as palavras de Renatinha:

     
     

       As pessoas vivem dizendo por aí: “Leia um livro!”

     Sabe quantos livros existem no mundo? Em 2010 a galerinha do Google estimou APENAS 129.864.880 (cento e vinte e nove milhões, oitocentos e sessenta e quatro mil, oitocentos e oitenta) Assim fica mais fácil de escolher um não? Não. Claro que não.
       Tu já entrou numa livraria ou biblioteca e pensou: “nem se eu passasse a vida inteira lendo, chegaria perto de terminar todos esses livros”? É um sentimento meio deprê, eu sei, mas não precisa ser, porque mais importante do que “ler um livro” é ler “O” livro.
      A gente lê pra encontrar histórias que nos ensinem, pra sentir alguma coisa diferente, pra que cause na gente aquele efeito “boooooh!!”, e que depois de tudo isso, inevitavelmente deixe uma marca. Esperamos que cada livro seja o melhor da vida e quando esse livro não chega nem minimamente perto de atingir essa expectativa, sentimos que perdemos tempo. E veja bem, de fato perdemos!
      Quando eu conheci a Larissa (dona dessa espaço que me foi brevemente concedido) eu logo fui com a cara dela. Ela segurava na mão “O conto da ilha desconhecida” do Saramago. Ela me falou desse livro com tanta propriedade, paixão, mistério e apego que me deu muita vontade de ler, não só pra descobrir o final (que ela se negou a me contar), mas porque queria ter a chance de sentir a mesma coisa. 


       No dia seguinte eu fui no Arco da velha (a livraria mais simpática de Caxias) e lá estava o livro da Larissa, olhando pra mim como se já fosse meu e por isso seria um baita insulto não levá-lo comigo. Li o livro em uma sentada. Era uma história curta, mas com uma metáfora poderosíssima, daquelas que te deixa pensativo durante dias. O conto da ilha desconhecida acabou parando na pilha de preferidos da prateleira. O livro que mordeu Larissa, me mordeu também.
      Isso, meus caros, não se configura como uma coincidência, uma artimanha do destino ou nada assim. Muito pelo contrário, é aí que mora o segredo: os melhores livros virão de recomendações incendiadas de amigos em relação aos seus respectivos livros preferidos. Se alguém diz: “Sério, esse é o melhor livro do mundo porque ele mudou o jeito que eu vejo a vida” não se pode fazer outra coisa além de ler a droga do livro!
       E digo mais, é a partir dos livros “life changing” que surgem as melhores conversas, as tatuagens, os filmes, as dedicatórias, os empréstimos… E assim como o amor (me perdoem aqui o pieguismo) eles precisam ser espalhados. Que bom que espaços como esse aqui existem, porque são eles que criam a faísca, que jogam a lenha na fogueira que incentivam essas conversas a crescer. Dizem o tempo todo (desde o século XIX) que os livros vão morrer, mas a literatura sempre encontrou um jeito. Porque assim como a Larissa ou você que lê esse texto, sempre haverá pessoas encantadas com as palavras.


Renata Siegmann criou a página “Que livro te mordeu?”. Um espaço para as pessoas dividirem com o mundo seus livros “life changing”. Acessa ele aqui!


3 livros que morderam a Renata:

“Elogio da loucura” de Erasmo Roterdã
“A História sem Fim” de Michael Ende
“Budapeste” de Chico Buarque.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Raio-X: Maré Literária

     Você já ouviu falar sobre o projeto "Maré Literária?". As estudantes caxienses Larissa Subtil e Maria Luisa Loreto pesquisaram e puderam observar a atual situação, muitas vezes precária, de algumas escolas e abrigos em relação à leitura. Percebendo a gravidade do problema, resolveram tomar uma atitude básica: coleta de livros para distribuição.


      "O obstáculo não é a ânsia pelos livros e sim, a falta destes. Sagas literárias, por exemplo, são leituras fáceis e que, muitas vezes, dão início ao hábito." enfatiza Larissa. Analisando isso,  começaram com a arrecadação de livros para que, crianças, adolescentes - e também adultos - possam cultivar a paixão pela leitura e pelo conhecimento.


     Larissa cita Manoel de Barros como fonte de inspiração. "Uma criança que tem em mãos a literatura, pode fazer pedra dar flor". As duas jovens acreditam no poder da leitura como válvula propulsora para uma sociedade mais justa e conhecedora de seu mundo. E aí, está afim de doar algum livro e ajudar com a campanha ou simplesmente conseguir algo legal pra ler? Entra em contato com elas pelo número 054 96920707 ou pela page do projeto Maré Literária , onde é possível descobrir os pontos de coleta dos books.


     Como o pessoal do blog é bastante curioso e está sempre buscando indicações legais pra trazer pra vocês, pedimos pra Lari indicar 4 dos livros preferidos dela, e as sugestões foram: O Conto da Ilha Desconhecida - José Saramago, Poesia Completa - Manoel de Barros, O Macaco e a Essência - Aldous Huxley e por último Ressurreição - L. Tolstói. Não deixem de compartilhar e comentar se já leram algum, viu.